Ocorrência começou após denúncia de disparo e ameaça no Jardim Olaria; Polícia Civil investiga a atuação dos policiais e aguarda perícias para esclarecer toda a dinâmica.
Um homem de 21 anos morreu durante uma intervenção da Polícia Militar na noite de segunda-feira (2), feriado de Finados, no bairro Jardim Olaria, em Caraguatatuba.
A ocorrência aconteceu por volta das 18h25, em uma residência na Viela do Ipiranga.
A vítima foi identificada como Luan Vitor Silva Santos.
Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada após um homem relatar que havia ido até a residência da ex-companheira para deixar a filha e se desentendeu com Luan, atual companheiro dela.
O solicitante afirmou que teria sido ameaçado e que, ao deixar o imóvel, ouviu um disparo de arma de fogo, que atribuiu a Luan. Ele disse, porém, que não conseguiu visualizar precisamente a direção do tiro.
Policiais dizem que homem pegou arma artesanal
De acordo com a versão apresentada pelos policiais, a equipe foi até o endereço e encontrou o portão aberto.
Quando os agentes visualizaram Luan dentro do imóvel, ele teria entrado rapidamente na residência e retirado de uma mochila uma arma aparentemente de fabricação artesanal.
Os policiais afirmaram que deram ordem para que ele largasse o armamento, mas que a determinação não foi atendida.
Ainda segundo os relatos registrados no BO, diante da situação considerada de risco, um policial efetuou três disparos com um fuzil calibre 5,56 e outro realizou dois disparos com uma pistola calibre .40.
Luan foi atingido e caiu no interior da residência.
O Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas a morte foi constatada no local.
A ocorrência foi registrada como morte decorrente de intervenção policial.
Possível disparo contra policiais ainda será apurado
O boletim também menciona relatos preliminares sobre a possibilidade de Luan ter efetuado um disparo contra os policiais.
A própria Polícia Civil, entretanto, registrou que essa circunstância ainda precisa ser esclarecida por meio da perícia, exames balísticos e confronto entre as versões apresentadas e os vestígios encontrados.
Uma cápsula deflagrada foi localizada no quintal da residência e deverá passar por análise para verificar sua origem e eventual relação com a arma artesanal apreendida.
A Polícia Civil ressaltou no procedimento que o registro como morte decorrente de intervenção policial não representa conclusão antecipada sobre a legalidade da atuação dos agentes.
919 gramas de maconha e caderno foram apreendidos
Durante a vistoria no imóvel, também foram encontrados 919 gramas de material semelhante à maconha.
Segundo o registro, havia 36 porções embaladas e um bloco maior da substância.
Um caderno com anotações semelhantes à contabilidade do comércio de drogas também foi apreendido.
A Polícia Civil determinou exames para confirmar a natureza e a quantidade do material e apurar possível tráfico de drogas.
A arma artesanal encontrada na residência, descrita no boletim como calibre .380, também foi apreendida.
As armas utilizadas pelos dois policiais na ocorrência — um fuzil calibre 5,56 e uma pistola calibre .40 — foram recolhidas para os exames necessários.
Mulher é investigada, mas não foi indiciada por tráfico
A companheira de Luan permanece na condição de investigada em relação aos materiais encontrados na residência.
A autoridade policial decidiu não indiciá-la nesta fase, considerando que não foram encontrados elementos individualizados suficientes para atribuir a ela participação direta no tráfico ou associação para o tráfico.
Segundo o despacho, apenas o fato de morar no imóvel e manter relacionamento com Luan não é suficiente para atribuir responsabilidade criminal.
Outra mulher foi autuada por dano à viatura
Durante a ocorrência, outra mulher foi apresentada à delegacia após danificar uma viatura da Polícia Militar.
A Polícia Civil considerou haver elementos para imputação de dano qualificado e arbitrou fiança correspondente a um salário mínimo.
A apuração de uma possível resistência aos policiais ainda deverá ser aprofundada.
Perícia vai reconstruir dinâmica dos disparos
A Polícia Técnico-Científica foi acionada e realizou levantamentos no imóvel.
A investigação deverá analisar a trajetória dos projéteis, posição dos envolvidos, armas utilizadas, cápsulas e demais vestígios.
Também foram determinadas a preservação de eventuais imagens de câmeras corporais, viaturas e imóveis próximos, além da realização de exame necroscópico.
O caso seguirá sob investigação da Polícia Civil de Caraguatatuba para esclarecer a dinâmica completa da intervenção, verificar a origem dos disparos e avaliar a necessidade, proporcionalidade e legalidade da força empregada pelos policiais.