Dom Pedro Luiz Stringhini integra manifestação de religiosos sobre o segundo turno; documento aborda trabalho, pobreza e democracia, mas não declara nominalmente voto nos candidatos
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | MOGI DAS CRUZES
O bispo de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, está entre os signatários de uma carta de bispos católicos que critica posições associadas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e apresenta uma avaliação favorável à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Divulgado na quinta-feira (22), o documento leva ao debate eleitoral do Alto Tietê uma manifestação religiosa sobre os rumos do país. O nome do bispo consta na relação publicada com a íntegra da carta.
Embora não mencione os presidenciáveis pelo nome, o texto faz referências que permitem identificar os dois lados da disputa. Ao tratar do acesso às armas, por exemplo, menciona propostas de um candidato e relaciona sua posição ao governo de seu pai. Na avaliação da candidatura adversária, destaca compromissos com a população pobre e a ordem democrática.
A sinalização favorável a Lula é uma interpretação do conteúdo político da carta. O documento não contém pedido nominal de voto no petista. Essa distinção é necessária para compreender o alcance da manifestação, sem transformar uma comparação entre candidaturas em uma declaração formal de apoio partidário.
O que os bispos questionam na carta
A manifestação utiliza a Doutrina Social da Igreja — conjunto de ensinamentos católicos sobre a vida em sociedade — como referência para discutir as eleições.
Entre os assuntos abordados estão a escala de trabalho 6×1, os programas de combate à pobreza, a soberania nacional, o acesso a armas e a preservação ambiental. Os signatários apresentam críticas a posições que atribuem a uma das candidaturas e defendem que esses temas sejam considerados pelos eleitores católicos. As avaliações expressam o posicionamento dos religiosos que assinam o documento.
O texto também convoca os fiéis a participar da votação e sustenta que a escolha presidencial deve considerar consequências para a democracia e para as condições de vida da população. A relação de signatários reúne bispos em atividade e eméritos de diferentes regiões brasileiras.
Por que o posicionamento tem relevância no Alto Tietê
A participação de dom Pedro Luiz Stringhini dá dimensão regional a uma manifestação nacional. A Diocese de Mogi das Cruzes abrange dez municípios do Alto Tietê: Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.
Essa abrangência ajuda a explicar o interesse público pelo posicionamento do bispo. A assinatura, entretanto, não permite atribuir a mesma preferência eleitoral aos fiéis, às paróquias ou à população desses municípios.
Também é necessário distinguir a adesão do religioso à manifestação coletiva de uma eventual declaração institucional da Diocese. A carta consultada comprova a presença de seu nome entre os signatários; isso, isoladamente, não comprova um anúncio oficial de apoio eleitoral da instituição.
Carta dos bispos e mensagem da CNBB são documentos diferentes
A manifestação assinada por Stringhini deve ser diferenciada da mensagem oficial do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgada em 21 de outubro.
Na comunicação institucional, a CNBB defende a Constituição, o Estado Democrático de Direito e o respeito aos resultados das urnas. Também ressalta que o voto é livre e secreto, condenando ameaças, pressões e negociação de votos.
A entidade orienta os eleitores a considerar a trajetória dos candidatos e seus compromissos com os direitos fundamentais. Trabalho, alimentação, moradia, saúde, educação, segurança e proteção ambiental aparecem entre as prioridades apresentadas no documento oficial.
Para o leitor do Alto Tietê, a distinção central é esta: há uma carta coletiva com críticas políticas e sinalização de preferência entre as candidaturas, assinada pelo bispo de Mogi, e há uma mensagem institucional da CNBB com orientações para o exercício consciente do voto.

