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Mortes de bebês em hospital: Secretaria da Saúde faz inspeção e Polícia Civil investiga seis casos em SP

Vigilâncias estadual e municipal analisaram as unidades neonatal e pediátrica; hospital afirma que não identificou origem infecciosa comum entre os casos examinados.

Por Thalyta Andrâde | São Paulo

A morte de bebês atendidos no Hospital Salvalus, na zona leste de São Paulo, levou à abertura de uma investigação policial e à realização de uma inspeção sanitária. Em nota enviada à A Guardiã da Notícia, a Secretaria da Saúde do Estado informou que equipes estaduais e municipais de vigilância inspecionaram a instituição para avaliar as circunstâncias de 35 óbitos de bebês registrados neste ano.

Segundo a Secretaria da Saúde, participaram da inspeção os Centros de Vigilância Sanitária (CVS) e de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado, em conjunto com a Vigilância Epidemiológica Municipal. As equipes avaliaram as condições de funcionamento das unidades neonatal e pediátrica, os protocolos de higienização e prevenção de infecções e o monitoramento dos indicadores assistenciais. Também foram analisadas mudanças no perfil de atendimento, especialmente em relação aos pacientes de alta complexidade.

A pasta informou que toda a documentação coletada durante a inspeção está em análise prioritária. O material deverá orientar a adoção de eventuais medidas administrativas cabíveis, conforme a legislação vigente.

Investigação policial

Em nota à reportagem, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou que a Polícia Civil, por meio do 8º Distrito Policial (Brás), instaurou um inquérito para apurar seis casos de mortes de crianças ocorridas em um hospital privado da capital. Segundo a pasta, os casos foram comunicados à polícia na quarta-feira (21).

A investigação inclui depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise integral dos prontuários médicos. De acordo com a secretaria, o objetivo é esclarecer as causas das mortes.

Os seis casos mencionados pela Polícia Civil correspondem aos investigados no inquérito policial. Já os 35 óbitos citados pela Secretaria da Saúde são aqueles considerados na inspeção sanitária. Os números se referem a procedimentos distintos.

Posicionamento do Hospital Salvalus

Em nota à Guardiã, o Hospital Salvalus afirmou que trata os relatos com seriedade e que as situações clínicas dos pacientes são distintas. Segundo a instituição, as avaliações realizadas até o momento não identificaram uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.

O hospital informou que é referência em maternidade de alto risco e assistência pediátrica de alta complexidade, recebendo crianças com condições graves, como prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e quadros infecciosos. A instituição declarou que mais de mil crianças foram atendidas neste ano, com cuidados individualizados e equipes especializadas.

A unidade também afirmou que mantém avaliações contínuas de segurança assistencial e canais de acolhimento às famílias. Na nota, declarou que, até aquele momento, não havia recebido notificação formal sobre os procedimentos mencionados e que permanece à disposição das autoridades, respeitando o sigilo médico e a privacidade dos pacientes.

Famílias buscam respostas

O caso também ganhou repercussão após relatos de familiares que questionam as circunstâncias das mortes. Reportagem do Metrópoles informou que uma advogada que representa familiares estava em contato com 36 mães que perderam os filhos na unidade. Esse número não significa que todos os casos estejam incluídos no inquérito policial.

O jornalismo da A Guardiã da Notícia acompanhou ainda diversos relatos publicados nas redes sociais por pessoas que afirmam ter vivido experiências semelhantes às denunciadas pelas famílias. Esses relatos ampliam a repercussão do caso, mas precisam ser apurados individualmente e não comprovam, por si só, a existência de falhas ou de uma causa comum entre os óbitos.

A reportagem tentou contato com a assessoria jurídica das mães para obter um posicionamento sobre as denúncias. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta.

A A Guardiã da Notícia seguirá acompanhando a análise da documentação pelas equipes de vigilância, os desdobramentos da investigação policial e os esclarecimentos das instituições envolvidas.

Rádio - Clínica Santa Marcia
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