Pesquisa aponta vantagem numérica do candidato do PL, força de Lula no Nordeste e divisão por renda e idade; Sudeste concentra peso decisivo na disputa presidencial
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BRASIL
A pesquisa presidencial Real Time Big Data, com divulgação datada desta sexta-feira (23), apresenta Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48%. O levantamento mostra uma disputa marcada por diferenças regionais e sociais, com vantagem numérica do candidato do PL no resultado nacional e liderança do petista entre os eleitores de menor renda.
Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Flávio registra 49% e Lula, 45%. Outros 5% declaram voto nulo ou branco, e 1% não sabe ou não respondeu.
A distância de quatro pontos percentuais exige uma leitura cuidadosa. Considerando a margem nacional informada de dois pontos para mais ou para menos, os intervalos dos candidatos se encontram no limite: Flávio pode oscilar entre 47% e 51%, enquanto Lula varia de 43% a 47%. O resultado indica vantagem numérica, mas não autoriza tratar a eleição como definida.
O cálculo de votos válidos exclui brancos, nulos e indecisos. Portanto, os 52% a 48% representam outra forma de apresentar a mesma disputa, e não um levantamento separado.
Flávio avança na série apresentada; Lula mantém 45%
Na sequência histórica incluída no relatório, Flávio Bolsonaro passa de 46% em 1º de outubro para 48% no dia 20 e 49% no dia 23. Lula aparece com 45% nas três medições.
No mesmo período, a parcela que não sabe ou não respondeu recua de 4% para 2% e, depois, para 1%. Brancos e nulos permanecem em 5%.
A série sugere crescimento numérico de Flávio e estabilidade de Lula. Entretanto, a variação de um ponto entre os dois levantamentos mais recentes está dentro da margem de erro nacional. Os dados também não permitem afirmar que os entrevistados anteriormente indecisos migraram diretamente para um dos candidatos, pois não se trata de acompanhamento das mesmas pessoas.
Na pergunta espontânea, sem apresentação dos nomes, Flávio tem 48%, contra 44% de Lula. Brancos e nulos somam 5%, e 3% não sabem ou não respondem.
Sudeste amplia a vantagem de Flávio; Nordeste sustenta Lula
O recorte regional evidencia bases eleitorais distintas:
Região Flávio Bolsonaro (PL) Lula (PT)
Sudeste 54% 41%
Nordeste 31% 62%
Sul 62% 30%
Norte 51% 46%
Centro-Oeste 60% 30%
O Sudeste representa 42% da amostra nacional. Nesse recorte, Flávio abre 13 pontos sobre Lula. No Nordeste, correspondente a 28% dos entrevistados, o petista registra vantagem de 31 pontos.
Para São Paulo e suas regiões, o dado exige uma distinção fundamental: o resultado do Sudeste não equivale ao resultado paulista. O relatório não apresenta números específicos para a capital, o Grande ABC, o Alto Tietê, o Vale do Paraíba ou o Litoral Norte.
Assim, o levantamento ajuda a compreender o ambiente regional mais amplo, mas não permite atribuir percentuais aos municípios cobertos pela A Guardiã da Notícia. O documento também não informa margens de erro específicas para esses recortes regionais.
Renda revela uma das maiores divisões da pesquisa
Entre os entrevistados com renda de até dois salários mínimos, Lula registra 54%, contra 40% de Flávio Bolsonaro.
Na faixa de dois a cinco salários mínimos, o cenário se inverte: Flávio aparece com 52%, e Lula, com 42%. Acima de cinco salários mínimos, o candidato do PL alcança 63%, diante de 32% do petista.
A diferença mostra que os desafios das campanhas variam conforme o público. Lula encontra maior apoio na faixa de menor renda, enquanto Flávio apresenta seus melhores números entre os entrevistados de renda mais alta.
Esses dados descrevem preferências eleitorais. Isoladamente, não comprovam os motivos do voto nem permitem atribuir o resultado a uma política pública específica.
Jovens e homens favorecem Flávio; idosos e mulheres dão vantagem numérica a Lula
Entre os homens, Flávio tem 52%, contra 40% de Lula. Entre as mulheres, o petista aparece numericamente à frente, com 49%, diante de 47%.
Na divisão por idade, Flávio registra 52% entre os eleitores de 16 a 34 anos, contra 41% de Lula. Na faixa de 35 a 59 anos, os percentuais são de 49% e 45%, respectivamente.
Entre os entrevistados com 60 anos ou mais, Lula lidera numericamente com 52%, enquanto Flávio tem 44%.
O levantamento também registra diferenças por religião. Entre evangélicos, Flávio alcança 58%, contra 39% de Lula. Entre católicos, o petista tem 49%, diante de 44%. No grupo de outras religiões ou sem religião, Lula aparece com 48%, e Flávio, com 45%.
Voto consolidado reduz espaço para mudanças
Segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados afirmam estar com o voto definido, enquanto 5% dizem que ainda podem mudar.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 94% afirmam que não mudariam de jeito nenhum. Entre os de Lula, são 93%. A possibilidade declarada de trocar diretamente pelo adversário aparece em 2% nos dois grupos.
Na pergunta sobre rejeição, 36% indicam Lula, 33% apontam Flávio, 28% rejeitam ambos e 3% não rejeitam nenhum. As categorias são apresentadas separadamente no relatório e precisam ser lidas dessa forma.
Análise de Gabrielle Tricanico: a disputa nacional passa pela mobilização nos municípios
A leitura política desta pesquisa está na combinação entre vantagem numérica nacional, diferenças regionais expressivas e elevado grau de definição do voto.
Com pouco espaço declarado para mudança de candidato, a capacidade de mobilização ganha relevância. Para as campanhas, isso significa transformar apoio em comparecimento e fazer a mensagem alcançar públicos nos quais cada candidatura encontra maior resistência.
No território paulista, a análise precisa considerar a diversidade das cidades. Capital, Grande ABC, Alto Tietê, interior e litoral possuem realidades econômicas e demandas diferentes. Não é possível tratar essas regiões como um bloco eleitoral homogêneo nem transportar automaticamente os números do Sudeste para cada município.
A pesquisa sugere desafios distintos: Lula precisa ampliar sua presença entre os segmentos nos quais aparece atrás, enquanto Flávio precisa preservar sua vantagem e reduzir a distância entre os eleitores de menor renda. Essa é uma interpretação dos recortes apresentados, não uma previsão de resultado.
O retrato é de vantagem numérica de Flávio Bolsonaro, com uma disputa que continua exigindo cautela estatística e atenção à mobilização regional. Pesquisa mede intenção de voto no período das entrevistas; a decisão final pertence às urnas.
Como a pesquisa foi realizada
A Real Time Big Data informa ter realizado 2.000 entrevistas com eleitores do território nacional entre 19 e 22 de outubro de 2026. A margem de erro nacional é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Segundo o relatório, as entrevistas foram feitas por telefone, com entrevistadores humanos, e a abordagem inicial utilizou ligações e mensagens virtuais. O documento informa o registro BR-09670/2026 e divulgação em 23 de outubro.

