Pesquisa presidencial mostra vantagem numérica do candidato do PL na região que reúne Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; levantamento não apresenta resultado exclusivo de Brasília
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BRASÍLIA
A disputa presidencial apresenta uma diferença expressiva no Centro-Oeste, região onde está Brasília. A pesquisa Real Time Big Data, com divulgação em 23 de outubro, aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 60% das intenções de voto, contra 30% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesse recorte regional. Outros 8% dos entrevistados declaram voto branco ou nulo, enquanto 2% não sabem ou não responderam.
A distância numérica de 30 pontos percentuais coloca o Centro-Oeste entre as regiões mais favoráveis ao candidato do PL no levantamento. O resultado, entretanto, corresponde ao conjunto formado por Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Não representa, isoladamente, a intenção de voto dos eleitores de Brasília.
Para a cobertura política da capital federal, essa distinção é essencial: o relatório não apresenta percentuais específicos do Distrito Federal nem resultados por suas regiões administrativas. Portanto, não permite afirmar como votariam os moradores de Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Planaltina, Plano Piloto ou de outras localidades do DF.
Centro-Oeste tem distância maior que a registrada no Sudeste
Na comparação entre as cinco regiões brasileiras, o Centro-Oeste apresenta a terceira maior diferença numérica entre os candidatos. No Sul, Flávio Bolsonaro registra 62%, contra 30% de Lula, uma distância de 32 pontos. No Nordeste, o cenário se inverte: o petista tem 62%, diante de 31% do adversário.
Região Flávio Bolsonaro (PL) Lula (PT) Diferença numérica
Centro-Oeste 60% 30% Flávio: 30 pontos
Sul 62% 30% Flávio: 32 pontos
Sudeste 54% 41% Flávio: 13 pontos
Norte 51% 46% Flávio: 5 pontos
Nordeste 31% 62% Lula: 31 pontos
Os números mostram uma disputa territorialmente desigual. Enquanto Flávio apresenta seus melhores percentuais no Sul e no Centro-Oeste, Lula concentra seu desempenho mais elevado no Nordeste.
O relatório informa margem de erro de dois pontos percentuais para o resultado nacional, mas não apresenta margens específicas para cada região. Essa margem nacional não deve ser aplicada automaticamente aos números do Centro-Oeste.
Brasília exige uma leitura própria
O Centro-Oeste corresponde a 7% da amostra informada pelo instituto. Esse peso reúne realidades distintas e não revela quanto cada unidade da Federação contribuiu para o resultado regional apresentado.
No Distrito Federal, uma reportagem sobre a eleição presidencial precisa considerar as diferenças entre as regiões administrativas e as demandas de seus moradores. Saúde, mobilidade, segurança, habitação, emprego e custo de vida são temas que permitem examinar as propostas das candidaturas a partir do cotidiano da população.
O levantamento, porém, não investigou quais desses assuntos determinaram as respostas dos entrevistados. Assim, não é possível atribuir a vantagem de Flávio no Centro-Oeste a uma categoria profissional, a um setor econômico ou a uma avaliação específica dos serviços públicos.
Também não há dados exclusivos sobre servidores públicos, moradores do Entorno ou eleitores de cada região administrativa. Qualquer conclusão sobre esses grupos exigiria informações adicionais.
No Brasil, Flávio tem 49% e Lula aparece com 45%
No resultado nacional da pesquisa estimulada, quando os nomes são apresentados aos entrevistados, Flávio Bolsonaro registra 49%, e Lula, 45%. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 1% não sabe ou não respondeu.
Considerando a margem nacional de dois pontos para mais ou para menos, os intervalos das candidaturas se encontram no limite. O quadro indica vantagem numérica de Flávio, sem permitir tratar o resultado eleitoral como definido.
Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o instituto apresenta 52% para Flávio Bolsonaro e 48% para Lula. Esses percentuais são nacionais e não devem ser confundidos com os 60% a 30% do Centro-Oeste, calculados sobre o total de respostas daquele recorte.
Renda divide preferências, mas não explica sozinha o voto no DF
A pesquisa nacional também registra diferenças por renda. Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, Lula tem 54%, contra 40% de Flávio Bolsonaro.
Na faixa de dois a cinco salários mínimos, Flávio aparece com 52%, e Lula, com 42%. Acima de cinco salários mínimos, o candidato do PL alcança 63%, diante de 32% do petista.
Esses números ajudam a identificar diferenças no eleitorado brasileiro, mas não constituem um cruzamento entre renda e voto no Distrito Federal. Não é possível utilizá-los para estimar o comportamento de bairros ou regiões administrativas de Brasília.
Análise de Gabrielle Tricanico: vantagem regional não substitui o olhar para Brasília
O principal sinal político da pesquisa é a força numérica de Flávio Bolsonaro no conjunto do Centro-Oeste. Para Lula, os percentuais indicam um ambiente regional mais desafiador do que o resultado nacional.
Mas Brasília precisa ser observada com precisão. A capital federal não pode ser resumida ao ambiente político dos ministérios, do Congresso ou dos partidos. A cobertura regional deve alcançar também o eleitor que depende do transporte público, procura atendimento de saúde e enfrenta dificuldades para trabalhar e morar.
A pergunta jornalística é como cada candidatura pretende responder a essas necessidades e quais propostas apresentam efeitos concretos para o Distrito Federal. A pesquisa mede preferências; a reportagem deve confrontar compromissos, viabilidade e impacto na vida da população.
Outro ponto relevante é o grau de definição do voto: nacionalmente, 95% dos entrevistados dizem já ter escolhido seu candidato. Esse indicador sugere espaço restrito para mudanças declaradas, embora o relatório não informe o percentual específico de definição no Centro-Oeste.
A leitura para Brasília é de vantagem numérica de Flávio no ambiente regional, com a necessidade de apuração própria para compreender o eleitorado do Distrito Federal. O dado do Centro-Oeste oferece contexto, mas não substitui uma pesquisa local.
Metodologia da pesquisa
A Real Time Big Data informa ter entrevistado 2.000 eleitores em território nacional entre 19 e 22 de outubro de 2026, por telefone, com entrevistadores humanos. Segundo o documento, a abordagem inicial foi realizada por ligações telefônicas e mensagens virtuais.
A margem de erro nacional é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O relatório informa o registro BR-09670/2026 e divulgação em 23 de outubro de 2026.

