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Mogi das Cruzes conquista lugar entre as 80 melhores do país e mostra a força de uma cidade que cresce sem perder o verde

Com 69,21 pontos no IPS Brasil 2026, município se destaca no Alto Tietê ao reunir patrimônio natural, serviços urbanos e investimentos em segurança; avanço reforça o desafio de levar qualidade de vida a todos os bairros.

Por Gabrielle Tricanico | ANÁLISE — CIDADES | ALTO TIETÊ — MOGI DAS CRUZES

Mogi das Cruzes tem uma beleza que merece ser observada com carinho. A Serra do Itapeti no horizonte, a presença da Mata Atlântica e a convivência entre paisagens naturais e atividades urbanas ajudam a explicar o encanto de uma cidade que ocupa um lugar importante no Alto Tietê. Agora, esse potencial também ganha destaque em um levantamento nacional sobre as condições de vida da população.

O município alcançou 69,21 pontos no Índice de Progresso Social — IPS Brasil 2026, acima da média brasileira de 63,40 pontos. Na classificação divulgada, Mogi aparece na 75ª posição entre 5.570 municípios avaliados, integrando o grupo das 80 cidades com melhor desempenho no índice.

A distância para a média nacional é de 5,81 pontos. O resultado coloca Mogi em uma posição de destaque e amplia a visibilidade de uma cidade cuja importância regional combina atividades econômicas, serviços e patrimônio ambiental.

A divulgação municipal também aponta a passagem da 133ª colocação, em 2025, para a 75ª em 2026 — uma diferença de 58 posições. Essa comparação, porém, exige cuidado: os responsáveis pelo IPS informam que mudanças nos indicadores e nos tratamentos estatísticos fazem com que as edições não sejam estritamente comparáveis. Portanto, a mudança no ranking não deve ser interpretada, isoladamente, como uma medida exata da evolução da cidade em apenas um ano.

O reconhecimento é relevante. Sua leitura fica ainda mais valiosa quando acompanhada de contexto e responsabilidade.

Qualidade de vida vai além da paisagem

O IPS avalia resultados sociais e ambientais em três grandes dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades.

Isso significa olhar para aspectos como saneamento, moradia, segurança pessoal, educação, saúde, meio ambiente e inclusão. O índice procura identificar o que efetivamente chega à vida das pessoas, para além do volume de recursos investidos.

Essa perspectiva ajuda a compreender o significado do resultado de Mogi das Cruzes. Uma cidade pode apresentar atividade econômica intensa e ainda enfrentar dificuldades no acesso aos serviços. Também pode conservar belas paisagens sem garantir que seus moradores tenham condições de aproveitá-las.

O desenvolvimento mais consistente acontece quando essas dimensões caminham juntas: oportunidades de trabalho, acesso ao conhecimento, proteção da população e cuidado com o território.

A natureza é parte da riqueza de Mogi das Cruzes

A Serra do Itapeti é uma das expressões mais marcantes da identidade mogiana. Sua importância envolve biodiversidade, proteção de recursos hídricos e conservação de remanescentes da Mata Atlântica.

A Área de Proteção Ambiental da Serra do Itapeti abrange territórios de Mogi das Cruzes, Guararema e Suzano. No município, o Parque Natural Municipal Francisco Affonso de Mello, conhecido como Chiquinho Veríssimo, também representa um espaço importante de conservação e educação ambiental.

Esse patrimônio merece estar no centro das decisões sobre o futuro da cidade. Preservar vegetação, nascentes e áreas protegidas ajuda a construir um ambiente urbano mais preparado para enfrentar os efeitos da expansão e das mudanças climáticas.

Na minha avaliação, uma das maiores qualidades de Mogi está justamente nessa possibilidade de crescer mantendo a natureza próxima da vida cotidiana. O verde que aparece no horizonte também representa uma responsabilidade compartilhada com as próximas gerações.

Estrutura urbana e segurança precisam acompanhar o crescimento

Mogi reúne comércio, serviços, atividades industriais e produção agrícola, formando uma base econômica diversificada. Essa combinação sustenta sua importância no Alto Tietê e exige planejamento para que a estrutura urbana acompanhe as necessidades da população.

Na segurança, o município conta com o programa Smart Mogi. Segundo balanço divulgado pela Prefeitura em setembro de 2026, o sistema reunia 730 câmeras, incluindo equipamentos de reconhecimento facial, leitura de placas e monitoramento, com integração ao programa estadual Muralha Paulista.

A administração municipal informou que 181 pessoas procuradas pela Justiça foram presas no primeiro ano do programa. O número representa um resultado operacional informado pelo poder público, mas não permite concluir, sozinho, que houve redução geral da criminalidade.

A tecnologia amplia as ferramentas disponíveis para proteger a população. Sua efetividade precisa ser acompanhada por indicadores, trabalho integrado, prevenção e atendimento adequado às ocorrências.

Para o morador, segurança também se traduz em iluminação, presença das equipes nos bairros, proteção das mulheres e condições de circular pelos espaços públicos. São necessidades que devem orientar continuamente as políticas municipais.

O próximo passo é fazer o reconhecimento chegar a todos

Uma boa classificação nacional deve servir de estímulo para ampliar os resultados. A experiência de viver em uma cidade varia conforme o bairro, a renda, o acesso ao transporte e a proximidade dos serviços.

Por isso, qualidade de vida precisa aparecer na rotina: no atendimento de saúde, na escola, na rua conservada, no saneamento e nas oportunidades oferecidas aos jovens.

Há investimentos previstos nessa direção. Em agosto de 2026, a SP Águas anunciou a assinatura de contrato de R$ 178,5 milhões para um sistema de esgotamento sanitário em Mogi das Cruzes, com potencial para beneficiar cerca de 134,6 mil pessoas. Na ocasião, o início das obras estava previsto para janeiro de 2027.

A execução e os resultados desse tipo de intervenção merecem acompanhamento. São projetos que conectam saúde pública, recuperação ambiental e infraestrutura.

Análise de Gabrielle Tricanico: uma cidade para valorizar e cuidar

Olho para Mogi das Cruzes com carinho e com a atenção de quem acredita na força do jornalismo regional. Há muito a valorizar nessa cidade: sua natureza, sua diversidade econômica e a capacidade de reunir características urbanas com uma paisagem que preserva identidade.

O destaque no IPS Brasil 2026 oferece um motivo legítimo de orgulho. Também abre uma oportunidade para discutir o que ainda precisa avançar e como distribuir melhor os benefícios do desenvolvimento.

O futuro de Mogi merece ter a dimensão de sua beleza: amplo, bem cuidado e acessível à população.

Preservar a Serra do Itapeti, fortalecer os serviços, acompanhar os resultados da segurança e planejar a expansão urbana são compromissos que podem dar continuidade a essa trajetória.

Mogi das Cruzes tem atributos para ocupar um espaço cada vez mais relevante no cenário nacional. O reconhecimento mais importante será aquele percebido diariamente por quem vive, trabalha, estuda e constrói sua história na cidade.

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