Parlamentares americanos querem esclarecer possível participação do governo dos EUA na viagem do senador; presidente americano critica processo eleitoral, mas afirma que não tomou partido
Reportagem: Fabi Teixeira | A Guardiã da Notícia
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil ganhou novos desdobramentos políticos nos Estados Unidos.
Deputados democratas, entre eles integrantes da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, enviaram uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, cobrando esclarecimentos sobre a possível participação do governo dos Estados Unidos na operação que levou o parlamentar brasileiro à Flórida.
Os congressistas questionam se houve envolvimento do Departamento de Estado na articulação da viagem e quais procedimentos foram adotados para permitir a entrada do senador e de seus familiares em território americano.
A iniciativa ocorre após reportagens atribuídas aos jornais The Wall Street Journal e The New York Times apontarem que aliados influentes do presidente Donald Trump e integrantes do governo argentino teriam participado da operação.
Entre os nomes mencionados está Jason Miller, aliado de Trump, que teria atuado na organização do voo privado utilizado pelo senador.
Até o momento descrito nas reportagens, não havia manifestação pública conclusiva da Casa Branca sobre essas alegações.
Trump volta a criticar eleição brasileira
Questionado sobre a disputa presidencial no Brasil, Donald Trump voltou a classificar o processo eleitoral brasileiro como uma vergonha.
O presidente americano, no entanto, afirmou que não tomou partido na eleição.
“Eu acompanhei a eleição. Não tomei partido”, declarou Trump, em tradução de sua manifestação à imprensa.
Ele também afirmou que teria recebido um pedido do presidente brasileiro para não interferir na disputa, mas não apresentou detalhes que permitissem esclarecer as circunstâncias dessa alegação.
Trump evitou responder diretamente quem reconhece como vencedor da eleição brasileira.
Carta de Flávio amplia desgaste político
A pressão internacional ocorre depois da divulgação de uma carta na qual Flávio Bolsonaro inicialmente se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
Posteriormente, o texto foi alterado, passando a identificá-lo como líder do país.
Na manifestação, o senador contestou o resultado eleitoral e agradeceu a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei.
A iniciativa provocou reações inclusive dentro do Partido Liberal.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda não aprovou a carta e declarou que nem mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro sabia antecipadamente da saída do filho do Brasil.
O episódio expôs o distanciamento entre a estratégia adotada pelo senador e a posição pública de integrantes de seu próprio campo político.
Pressão chega a Washington
A cobrança dos democratas amplia o alcance internacional da controvérsia.
O que começou como uma crise política brasileira passa a produzir questionamentos dentro das instituições americanas, especialmente sobre a eventual utilização de estruturas governamentais para auxiliar um político estrangeiro.
As respostas do Departamento de Estado poderão esclarecer se houve apenas atuação de aliados políticos ou algum tipo de participação institucional americana.
Até que essas informações sejam apresentadas, a possível participação do governo dos Estados Unidos permanece como alegação sob questionamento.

