Possível reunião entre Mauro Vieira e Marco Rubio ocorre em meio a suspeitas de participação de aliados de Trump na saída do senador do Brasil; governo Lula evita confronto e prioriza negociações comerciais
Por: Fabi Teixeira | A Guardiã da Notícia
A participação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em uma reunião de chanceleres do G20, nesta sexta-feira (30), em Atlanta, nos Estados Unidos, acontece em um momento de tensão nas relações entre Brasília e Washington.
Embora não exista confirmação de uma reunião bilateral, a possibilidade de um encontro com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ganha relevância após a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, dias depois da derrota na eleição presidencial.
Segundo informações atribuídas aos jornais americanos The Wall Street Journal e The New York Times, um grupo de aliados do presidente Donald Trump e integrantes do governo argentino teria participado da operação que permitiu a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
As reportagens citam Jason Miller, aliado político de Trump, como um dos possíveis responsáveis pela organização do transporte aéreo privado. O senador teria deixado o território brasileiro pela Argentina, seguido para o Equador e desembarcado na Flórida.
As alegações ainda dependem de esclarecimentos oficiais sobre o eventual envolvimento de autoridades americanas.
Governo brasileiro evita escalada diplomática
Apesar das suspeitas, o governo Lula não pretende, neste momento, transformar o episódio em um conflito diplomático.
A orientação é preservar o diálogo com Washington e manter como prioridade as negociações sobre as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Na quinta-feira (29), Lula discutiu o cenário com Mauro Vieira durante uma reunião de aproximadamente duas horas e meia no Palácio da Alvorada.
O governo avalia que uma reação formal dependeria do surgimento de novos elementos que comprovassem participação institucional americana na saída do senador.
A expectativa é de que Lula e Trump voltem a se encontrar em dezembro, durante a agenda do G20.
Crise política, cautela diplomática
O episódio cria uma situação delicada para o Itamaraty. De um lado, há questionamentos sobre a possível atuação de aliados de um governo estrangeiro na saída de um político brasileiro envolvido em investigações. De outro, existe o interesse de preservar uma relação bilateral que envolve comércio, investimentos e interesses estratégicos.
O desafio da diplomacia brasileira será acompanhar os desdobramentos sem comprometer as negociações em andamento.
A eventual confirmação de participação oficial de autoridades estrangeiras poderá alterar a dimensão diplomática do caso.

