Pesquisa presidencial mostra diferença de 32 pontos na região formada por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; resultado regional supera a distância registrada no Centro-Oeste
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | REGIÃO SUL
O Sul do Brasil apresenta a maior vantagem numérica de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre as cinco regiões do país na pesquisa presidencial Real Time Big Data, divulgada nesta sexta-feira (23). No conjunto de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o candidato do PL registra 62% das intenções de voto, contra 30% do petista.
A diferença é de 32 pontos percentuais. Outros 7% dos entrevistados da região declaram voto branco ou nulo, enquanto 1% não sabe ou não respondeu.
O resultado coloca o Sul como a região de maior percentual de apoio a Flávio no levantamento. O candidato aparece com 60% no Centro-Oeste, 54% no Sudeste, 51% no Norte e 31% no Nordeste.
Os números sulistas correspondem à pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados. Não são percentuais de votos válidos, pois incluem respostas em branco, nulas e indefinidas.
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul compõem o resultado regional
O levantamento apresenta o desempenho agregado dos três estados do Sul. Entretanto, não divulga resultados separados para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nem percentuais por município.
Isso significa que os 62% de Flávio e os 30% de Lula não podem ser atribuídos individualmente a Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre ou às cidades do interior. Também não é possível identificar, a partir do relatório, qual estado concentra a maior vantagem de cada candidatura.
A distinção é importante para compreender a eleição presidencial no Sul: o resultado regional reúne diferentes realidades econômicas, sociais e territoriais, que não aparecem detalhadas nesse recorte.
Vantagem no Sul é oito vezes a diferença nacional em pontos percentuais
Enquanto a distância entre os candidatos no Sul chega a 32 pontos, no resultado nacional da pesquisa estimulada ela é de quatro pontos: Flávio Bolsonaro tem 49%, e Lula registra 45%.
A comparação mostra como o ambiente regional é mais favorável ao candidato do PL do que o conjunto do eleitorado pesquisado.
Abrangência Flávio Bolsonaro (PL) Lula (PT) Diferença
Sul 62% 30% 32 pontos
Centro-Oeste 60% 30% 30 pontos
Sudeste 54% 41% 13 pontos
Norte 51% 46% 5 pontos
Nordeste 31% 62% 31 pontos para Lula
Brasil 49% 45% 4 pontos
O Nordeste apresenta o cenário inverso ao do Sul: Lula alcança 62%, contra 31% de Flávio. Os dois recortes evidenciam bases territoriais distintas e ajudam a explicar por que uma vantagem regional expressiva não se traduz automaticamente em distância semelhante no resultado nacional.
O Sul representa 15% da amostra, enquanto Sudeste e Nordeste correspondem, respectivamente, a 42% e 28%. Esses percentuais descrevem a composição dos entrevistados informada pelo instituto.
Brancos e nulos somam 7% entre os entrevistados do Sul
Além da distância entre os candidatos, o recorte sulista apresenta 7% de respostas em branco ou nulas, acima dos 5% registrados nacionalmente. A parcela que não sabe ou não respondeu é de 1%, igual ao resultado brasileiro.
Essas categorias precisam ser interpretadas separadamente. Declarar voto branco ou nulo não significa estar indeciso, e a pesquisa não permite afirmar que esses eleitores escolherão uma das candidaturas.
O relatório também não informa, especificamente para o Sul, quantos entrevistados poderiam mudar de posição até a votação.
Renda e religião mostram diferenças nacionais, mas não explicam isoladamente o Sul
No conjunto do Brasil, Flávio Bolsonaro registra seus maiores percentuais entre entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos: 63%, contra 32% de Lula. Entre evangélicos, o candidato do PL tem 58%, diante de 39% do petista.
Lula, por sua vez, aparece com 54% entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, contra 40% de Flávio. Entre os entrevistados com 60 anos ou mais, o petista registra 52%, e o adversário, 44%.
Esses dados ajudam a descrever o eleitorado nacional, mas o documento não apresenta cruzamentos de renda, religião ou idade exclusivos da Região Sul. Portanto, não é possível concluir que um desses fatores explique a vantagem regional.
Da mesma forma, o levantamento não mede a influência específica de setores econômicos, lideranças locais ou avaliações de governos sobre o voto nos três estados.
Análise de Gabrielle Tricanico: o Sul fortalece Flávio, mas exige leitura além do placar
O dado central é a dimensão da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro no Sul. Com 62% das intenções de voto, o candidato do PL encontra na região seu melhor desempenho no levantamento. Para Lula, os 30% mostram um território eleitoral mais desafiador do que a média nacional.
A interpretação política é que preservar apoio e mobilizar o eleitorado têm relevância para Flávio, enquanto reduzir a distância regional representa um desafio para Lula. A pesquisa, contudo, não mede a eficiência das estruturas de campanha nem permite antecipar o comparecimento às urnas.
Para o jornalismo regional, o próximo passo é aproximar a disputa presidencial das necessidades dos moradores de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Emprego, infraestrutura, saúde, segurança, produção rural e prevenção de desastres são temas para confrontar propostas e cobrar compromissos concretos das candidaturas.
Essas pautas não devem ser apresentadas como explicações comprovadas para o resultado: o relatório não investigou os motivos do voto. Elas constituem caminhos de apuração sobre o que cada candidato oferece à região.
O Sul aparece como a base regional mais favorável a Flávio nesta pesquisa. Isso não elimina as diferenças entre os três estados nem transforma intenção de voto em resultado de urna.
Metodologia da pesquisa presidencial
A Real Time Big Data informa ter realizado 2.000 entrevistas com eleitores do território nacional entre 19 e 22 de outubro de 2026. As entrevistas ocorreram por telefone, com entrevistadores humanos, e a abordagem inicial utilizou ligações e mensagens virtuais.
A margem de erro informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos no resultado nacional, com nível de confiança de 95%. O relatório não apresenta margem de erro específica para a Região Sul; portanto, a margem nacional não deve ser aplicada automaticamente ao recorte regional.
O documento informa o registro BR-09670/2026 e divulgação em 23 de outubro de 2026.

