RZK Concessões aparece entre os interessados no projeto que reúne o terminal da capital e outros dez aeroportos; leilão está marcado para 17 de dezembro.
Por Gabrielle Tricanico | ECONOMIA E INFRAESTRUTURA | BRASÍLIA – DISTRITO FEDERAL
Um grupo com participação na administração da Rodoviária do Plano Piloto agora avalia ampliar sua presença na infraestrutura de transporte de Brasília. A RZK Concessões, integrante do Consórcio Catedral, participou das apresentações do projeto de concessão do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e aparece entre os interessados no empreendimento.
A movimentação coloca em perspectiva a possibilidade de um mesmo grupo participar da gestão de dois equipamentos estratégicos para a capital federal. O interesse demonstrado, entretanto, ainda não equivale à apresentação de proposta ou à habilitação no leilão.
O projeto envolve aproximadamente R$ 2,06 bilhões em investimentos previstos, distribuídos entre o Aeroporto de Brasília e dez terminais regionais. A disputa está programada para 17 de dezembro de 2026.
Para o Distrito Federal, está em jogo a modernização de uma infraestrutura que atende moradores, recebe visitantes e sustenta conexões aéreas com outras regiões do país.
Da Rodoviária ao interesse pelo aeroporto
A ligação da RZK com a Rodoviária do Plano Piloto ocorre por meio do Consórcio Catedral, formado com a Atlântica Construções, Comércio e Serviços. A concessão do complexo foi estabelecida por 20 anos, com previsão de R$ 120 milhões em investimentos.
A atuação da RZK também inclui exploração e revitalização de espaços comerciais vinculados a estações de transporte em São Paulo. Uma eventual entrada na operação aeroportuária representaria a expansão do grupo para outro segmento de infraestrutura.
As apresentações a investidores ocorreram em 19 e 20 de outubro, com reuniões presenciais e virtuais destinadas a esclarecer dúvidas e discutir as condições do projeto antes da concorrência.
O que está previsto para o Aeroporto de Brasília
Do investimento anunciado para o conjunto, R$ 1,2 bilhão corresponde ao Aeroporto JK. Entre as intervenções previstas estão:
- Construção de um novo terminal internacional;
- Implantação de um edifício-garagem;
- Abertura de uma nova via de acesso.
Outros R$ 857,8 milhões estão previstos para os dez aeroportos regionais, localizados em Goiás, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. A inclusão integra o programa federal AmpliAR, voltado à atração de investimentos privados para a infraestrutura aeroportuária regional.
A dimensão do terminal brasiliense ajuda a explicar o interesse empresarial. Mais de 9,7 milhões de passageiros passaram pelo aeroporto nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 8,14% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O terminal ocupa a quarta posição entre os mais movimentados do país.
Como funciona a mudança da concessão
O procedimento envolve a repactuação do contrato da Inframerica, atual concessionária. A modelagem resulta de uma solução consensual homologada pelo Tribunal de Contas da União, com participação da Agência Nacional de Aviação Civil e da Secretaria Nacional de Aviação Civil.
O prazo da concessão permanece até 2037. O modelo também fixa em R$ 628,76 milhões, atualizados pelo CDI, o valor para aquisição da participação de 49% da Infraero. Esse montante corresponde a uma condição financeira distinta dos investimentos previstos para as obras.
O que os moradores do DF devem acompanhar
Para passageiros, trabalhadores e empresas que dependem do aeroporto, o resultado mais relevante será a execução das melhorias. A escolha do operador deve ser acompanhada da divulgação dos prazos, das etapas de implantação e das condições de atendimento durante as intervenções.
A eventual presença de um mesmo grupo nos negócios da Rodoviária e do aeroporto também merece acompanhamento pela importância dos dois equipamentos para Brasília. Essa participação, por si só, não estabelece integração de serviços, tarifas ou transporte entre os terminais.
O próximo marco será a apresentação das propostas. Pelo cronograma, os interessados devem entregar a documentação e a garantia até 10 de dezembro. A sessão pública está prevista para 17 de dezembro, às 15h.

