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São Paulo: Roberto Monteiro é citado por Valdevan Noventa em disputa no SindMotoristas envolvendo Milton Leite; delegado nega acusações

Ex-presidente do sindicato afirma que Roberto Monteiro teria atuado contra ele durante disputa envolvendo Milton Leite; delegado contesta a versão e diz que não presidiu o inquérito citado. Episódio ganha repercussão em meio à investigação sobre suspeita de infiltração do PCC no transporte coletivo paulistano.

Por Gabrielle Tricanico | POLÍTICA E INVESTIGAÇÃO | SÃO PAULO

A disputa pelo comando do SindMotoristas de São Paulo voltou ao centro do noticiário após declarações do ex-presidente da entidade José Valdevan de Jesus Santos, conhecido como Valdevan Noventa. Ele cita o delegado Roberto Monteiro de Andrade Júnior ao relatar um conflito envolvendo Milton Leite (União Brasil), ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Monteiro nega as acusações.

O episódio reúne personagens com atuação no transporte, no sindicalismo, na política e na segurança pública e ganha maior repercussão em um momento em que o setor de ônibus da capital está sob investigação por suspeitas relacionadas à atuação do crime organizado.

É necessário, entretanto, separar os fatos. De um lado estão as declarações de Valdevan sobre episódios relacionados à disputa pelo comando do SindMotoristas e a uma investigação policial anterior. De outro está a investigação sobre a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo paulistano.

Até o momento, as informações disponíveis não permitem tratar as acusações feitas por Valdevan contra Monteiro como fatos comprovados, nem afirmar que o delegado tenha participação nas condutas investigadas no caso que atingiu Milton Leite.

Valdevan cita Monteiro; delegado contesta

Valdevan afirma que Roberto Monteiro teria atuado contra ele em decorrência de uma disputa envolvendo Milton Leite. O ex-dirigente sindical também relaciona o delegado a uma investigação policial que o alcançou.

Monteiro apresenta uma versão diferente. O delegado afirma que jamais presidiu o inquérito mencionado por Valdevan e sustenta que a investigação foi inicialmente instaurada no 4º Distrito Policial de Guarulhos e, posteriormente, transferida para a 1ª Cerco, unidade especializada no combate ao crime organizado na capital.

Naquele período, a 1ª Cerco estava subordinada à 1ª Delegacia Seccional Centro, então comandada por Roberto Monteiro. O delegado afirma, entretanto, que o inquérito foi integralmente presidido por outro policial.

A diferença entre as duas versões é relevante: a posição hierárquica ocupada por Monteiro na estrutura policial, por si só, não comprova participação direta na condução do procedimento citado por Valdevan.

Roberto Monteiro aparece em registros com Ricardo Nunes

Outro ponto que amplia a repercussão política do episódio são registros públicos de Roberto Monteiro ao lado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

O delegado também aparece em reunião realizada neste ano no gabinete do prefeito com representantes da atual direção do SindMotoristas.

A Prefeitura de São Paulo afirma que Roberto Monteiro não integra a administração municipal.

A existência de reuniões, fotografias ou interlocuções institucionais também não representa, isoladamente, evidência de irregularidade. O interesse público está em compreender o contexto dessas relações diante das disputas envolvendo o sindicato e das investigações que atingem o setor de transporte.

Milton Leite é alvo de investigação sobre o transporte

O episódio ganhou uma dimensão adicional após Milton Leite ter a prisão temporária decretada pela Justiça em investigação sobre suposta infiltração do PCC no transporte coletivo de São Paulo.

A medida é cautelar e não representa condenação.

Milton Leite, que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo e exerceu sete mandatos como vereador, tornou-se durante sua trajetória política um nome de forte presença nos debates relacionados ao sistema de transporte da capital.

A investigação atualmente em andamento busca esclarecer possíveis relações entre integrantes do crime organizado e estruturas ligadas ao transporte coletivo. As responsabilidades individuais ainda dependem do avanço das apurações e das decisões judiciais.

SindMotoristas entra no centro de uma disputa que atravessa diferentes setores

O SindMotoristas representa uma categoria estratégica para o funcionamento da maior cidade do país. Por isso, as disputas internas da entidade e suas relações com empresas, poder público e lideranças políticas possuem impacto que ultrapassa o ambiente sindical.

As declarações de Valdevan acrescentam um novo componente a esse cenário ao trazer o nome de um delegado que ocupou posição de comando na Polícia Civil e que aparece em registros públicos com autoridades municipais e representantes do sindicato.

Isso, porém, não permite estabelecer automaticamente uma conexão entre todos esses episódios.

No caso de Roberto Monteiro, há neste momento uma acusação apresentada por Valdevan e uma negativa expressa do delegado. Qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade exige elementos documentais e investigação capaz de comprovar os fatos.

Transporte de São Paulo passa por momento de forte escrutínio

O que transforma o episódio em uma pauta de relevância para toda a capital é o contexto mais amplo.

O sistema municipal de ônibus movimenta recursos públicos, contratos, concessões, empresas e milhares de trabalhadores, além de atender diariamente milhões de deslocamentos. As investigações recentes aumentam a necessidade de transparência sobre as relações existentes entre empresas de transporte, sindicatos, agentes públicos e representantes políticos.

Nesse cenário, o avanço das apurações deverá mostrar se as diferentes relações que aparecem publicamente possuem alguma conexão com as irregularidades investigadas ou se pertencem a episódios independentes.

Para o jornalismo, a distinção é essencial: Valdevan Noventa faz acusações contra Roberto Monteiro; Roberto Monteiro nega. Milton Leite é alvo de uma investigação em andamento. A eventual ligação jurídica ou criminal entre esses diferentes fatos precisa ser demonstrada pelas autoridades responsáveis pela apuração.

A Guardiã da Notícia procurou o delegado Marcos Monteiro para falar sobre os desdobramentos da disputa no SindMotoristas. Confira a resposta na íntegra:

José Valdevan de Jesus Santos, o Valdevan Noventa, afirma que o senhor teria atuado contra ele em razão de uma disputa envolvendo Milton Leite. Como o senhor responde especificamente a essa afirmação?

A Operação CHAPELIER, foi realizada pela 1ª CERCO (Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas), ligada hierarquicamente à 1ª Delegacia Seccional de Polícia da Capital (Seccional Centro – que dirigi de janeiro de 2019 a janeiro de 2023) e ao Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Capital (DECAP), nos autos de inquérito policial 2019845-58.2020.030212, inicialmente instaurado no 4º Distrito Policial de Guarulhos e, posteriormente, remetido com autorização do Exmo. Delegado Geral de Polícia (Dr. Ruy Ferraz Fontes) e anuência do Ministério Público e Poder Judiciário para a 1ª CERCO, onde foi integralmente presidido pelo Delegado de Polícia Fábio Daré, por conta da competência em razão do local da prática dos fatos apurados, qual seja a sede do Sindicato do Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SINDMOTORISTAS).
No bojo do referido caderno inquisitorial, foram realizadas várias fases da Operação CHAPELIER, com a finalidade de cumprir 31 (trinta e uma) medidas cautelares de busca e apreensão, nos Estados de São Paulo e Sergipe (autos apartados 4075552/20 – CNJ:1531136-87/2020), sendo que o resultado das complexas diligências, trouxe a luz da investigação fatos e evidências que apontaram uma complexa e bem estruturada ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, liderada pelo então ex-Presidente do SINDOMOTORISTAS, JOSE VALDEVAN DE JESUS DOS SANTOS, de alcunha “Valdevan 90”.
Nas dezenas de depoimentos formalizados, documentos apreendidos e demais provas colhidas, incluindo relatórios do COAF, restaram evidenciadas uma imensidão de operações financeiras ilegais, destinadas a “ocultar” o grande e diversificado patrimônio de “Valdevan 90”, as quais deram origem às medidas cautelares números: 4071291/21(CNJ:1530339-77/2021); 4090344/21(CNJ:1534852-54/2022); 4064680/22(CNJ:15237768-56/2022); 4073194/22(CNJ:1527517-81/2022), que por sua vez autorizaram os supracitados mandados de busca e apreensão, bem como sequestro de bens em desfavor “Valdevan 90” e alguns dos seus “laranjas”, especialmente no Estado de Sergipe (casas, apartamentos, fazenda, haras, veículos e cavalos de raça), sendo que já com declaração judicial de perdimento e leiloados.

Qual era, à época, sua relação institucional ou pessoal com Milton Leite? Houve reuniões, solicitações, contatos ou tratativas entre os senhores relacionadas ao SindMotoristas ou a Valdevan?

O resumo de tudo o que foi apurado no supracitado inquérito policial, incluindo diligências, relatórios do COAF, cautelares, apreensões e os motivados indiciamentos, estão cabalmente apresentados no relatório final do procedimento inquisitorial/processo, o qual foi devidamente submetido ao Ministério Público e Poder Judiciário (copia anexa), sem qualquer tipo de influência de qualquer autoridade pública ou política, incluindo o ex-Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Vereador Milton Leite;

Os indiciamentos formais, devidamente motivados pela autoridade policial presidente, nos autos do referido inquérito policial/processo e da Operação CHAPELIER, abrangeram todos os investigados que conjunto probatório apontou como autores dos diversos crimes apurados, incluindo “Valdevan 90”, sendo os mesmos submetidos à análise crivo do Ministério Público e Poder Judiciário, de São Paulo e de Sergipe. O atual Presidente do SINDMOTORISTAS, Valdemir do Santos Soares, conhecido como Moleque, e outros incialmente investigados não foram indiciados no supracitado caderno inquisitorial;

Valdevan afirma que o inquérito que o investigou teria ficado sob sua influência. O senhor confirma que, naquele período, comandava a 1ª Delegacia Seccional Centro, à qual estava subordinada a 1ª Cerco?

O inquérito policial em apreço foi presidido pelo Dr. Fábio Daré, Titular da 1ª CERCO.
As autoridades policial tem total e absoluta independência funcional, garantida por Lei, não ficando, portanto, “sob a influência de superiores hierárquicos.
Na época dos fatos, o Delegado Roberto Monteiro era o Titular da 1º Delegacia Seccional de Polícia – Centro, o
Delegado Albano Davi Fernandes era o Diretor do DECAP, o Delegado Rui Ferraz Fontes era o Delegado Geral de Polícia e o General João Camilo de Campos era o Secretário da Segurança Pública.
Nenhuma das autoridades acima, todas hierarquicamente responsáveis pela 1ª CERCO tiveram qualquer ingerência no referido inquérito policial, que tramitou no âmbito de São Paulo, na Vara e Promotoria do Repressão ao Crime Organizado.

Embora afirme que não presidiu o inquérito, o senhor teve algum tipo de participação administrativa, supervisão, acompanhamento, despacho ou acesso às informações dessa investigação?

O Delegado Roberto Monteiro não praticou qualquer ato de polícia judiciária no supracitado inquérito policial;

Quem efetivamente presidiu o inquérito citado por Valdevan? Houve alguma determinação, orientação ou intervenção de sua parte na condução do procedimento? A pergunta está respondida acima;

A transferência da investigação do 4º DP de Guarulhos para a 1ª Cerco ocorreu por qual motivo? Quem solicitou e quem autorizou formalmente essa transferência?

A pergunta está respondida acima (conforme estabelece o Código de Processo Penal e em razão do loca da sede do SINDMOTORISTAS;

O senhor afirma que a mudança ocorreu com autorização da Delegacia-Geral e anuência do Ministério Público e da Justiça. Existem documentos que comprovem esse trâmite e que possam ser disponibilizados ou indicados para consulta?
A pergunta foi respondida acima. As medidas e manifestações da Polícia Civil de SP, Ministério Público e Poder Judiciário, sendo esse último com poder decisório para a transferência, estão nos autos do Inquérito Policial;
O senhor teve ou mantém alguma relação institucional com o SindMotoristas? Participou de reuniões com dirigentes da entidade antes ou depois da saída de Valdevan da presidência?

O Delegado Roberto Monteiro não possui qualquer relacionamento institucional ou formal com o SINDMOTORISTAS, que não seja o informal apoio às suas legítimas reivindicações para a categoria laboral.
Entretanto, o reconhecimento do trabalho realizado pela Polícia Civil de São Paulo, Ministério Público e Poder Judiciário, em relação à desarticulação da Organização Criminosa que dominava o SINDMOTORISTAS, liderada por “VALDEVAN 90”, por ocasião da candidatura a Vereador da Cidade de São Paulo do Delegado Roberto Monteiro, ensejou o apoio de um grande número de lideranças da categoria laboral, que hipotecaram apoio voluntário e democrático à mencionada candidatura, a qual obteve 20.828 votos válidos, resultando na diplomação do candidato como “Eleito 5º Suplente de Vereador”.
Vale aqui ressaltar, que a categoria laboral do SINDMOTORISTAS, a exemplo de outras categorias sindicalizadas, sempre apoiou candidatos a cargos eletivos, objetivando a necessária e legítima defesa dos seus trabalhadores na conquista de melhorias salariais, benefícios, condições de trabalho etc.
Esses apoios, que também já foram manifestados no pleito de 2026, não significam ou implicam, de maneira alguma, na existência de qualquer tipo alinhamento irregular, conluio ou qualquer outro relacionamento espúrio, como sugere “Valdevan 90”;

Há registro de sua participação em reunião no gabinete do prefeito Ricardo Nunes (MDB) com integrantes da atual direção do SindMotoristas. Qual foi o objetivo do encontro e em que condição o senhor participou?

A pergunta está respondida acima. Somente o informal e democrático apoio pessoal às reivindicações para as legitimas reivindicações da categoria laboral;

A Prefeitura de São Paulo afirma que o senhor não integra a administração municipal. Atualmente, o senhor exerce alguma função, assessoria, atividade ou colaboração formal ou informal junto à Prefeitura?

O Delegado Roberto Monteiro não exerce qualquer atividade formal na Prefeitura de São Paulo.
Atualmente exerce as funções do seu cargo no Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (DEMACRO);

Qual é exatamente sua relação institucional com o prefeito Ricardo Nunes? Houve convite, indicação ou tratativa para que o senhor assumisse alguma função ligada à Prefeitura de São Paulo?

Não houve qualquer tratativa para que o Delegado Roberto Monteiro fosse licenciado do seu caro público para exercer funções na Prefeitura de São Paulo.
As especulações sobre esse tema são apenas da imprensa/midia.

O senhor teve contato com Milton Leite, integrantes de sua família, assessores ou pessoas politicamente ligadas a ele para tratar de assuntos relacionados ao transporte coletivo, ao SindMotoristas ou a investigações policiais?

O Delegado Roberto Monteiro jamais teve contato com o ex-Vereador Milton Leite, integrantes da sua família ou assessoria para tratar tema relacionados ao transporte público de São Paulo ou sobre o SINDMOTORISTAS.

A relação com o ex-Vereador e Presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, sempre foi formal, institucional e natural, assim como com o Prefeito Ricardo Nunes;

O senhor é investigado, citado formalmente ou foi chamado a prestar esclarecimentos em algum procedimento relacionado às atuais investigações sobre possível infiltração do crime organizado no transporte coletivo paulistano?

O Delegado Roberto Monteiro jamais foi citado formalmente ou convidado a prestar esclarecimentos em apurações sobre a possível infiltração do crime organizado no transporte coletivo da cidade de São Paulo,
tanto na Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário;

O senhor teve alguma participação profissional em investigações envolvendo empresas de ônibus, dirigentes do sistema de transporte ou pessoas que hoje aparecem nas apurações relacionadas ao setor?

O Delegado Roberto Monteiro jamais teve participação profissional em procedimentos relacionados com empresas de ônibus, dirigentes do setor, pessoas que atualmente estão envolvidas nas apurações ou com a suposta relação com do setor com crime organizado;

Diante das declarações de Valdevan, o senhor adotou ou pretende adotar medidas judiciais? Quais acusações considera falsas e quais elementos apresenta para contestá-las?

Inconformado com a cassação de seu mandato de Deputado Federal, perda da liderança da categoria laboral que anteriormente representou (SINDMOTORISTAS), sequestro, leilão e perda de alguns dos seus bens, “Valdevan
90″ passou a criar narrativas inverídicas e fantasiosas, assim como a praticar calúnia contra pessoas que escolheu como desafetos, incluindo
o Delegado Roberto
Monteiro (que jamais presidiu o inquérito Policial em tela).
Dentre essas narrativas, chegou a afirmar que a Operação CHAPELIER era fruto de uma armação” elaborada pelo então Vereador
Milton Leite e pelo então
Diretor e atual Presidente do
SINDMOTORISTAS,
Valdemir do Santos
Soares (Moleque).

Sobre as calúnias e danos morais cometidos contra o Delegado Roberto
Monteiro, foi instaurado o inquérito policial n°
1515058-76.2024.8.26.0050 (Divisão de Crimes Cibernéticos – DCCIBER do DEIC) e o Processo
Cível n°
1097266-87.2025.8.26.0100 (24ª Vara Cível do Foro Central), ambos ainda em tramitação na Justiça de São Paulo.

  1. Há algum documento, decisão judicial, relatório policial ou outro elemento objetivo que o senhor considere importante para esclarecer sua atuação e que queira apresentar à reportagem?

Relatório e outros documentos, de domínio público, estão abaixo;

  1. Por fim, como o senhor explica a sequência de fatos que levou seu nome a aparecer simultaneamente em relatos sobre a disputa do SindMotoristas, em registros com representantes da entidade e em encontros com integrantes do poder público municipal?
    A pergunta está respondida acima, nos itens anteriores.
Rádio - Clínica Santa Marcia
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