Pesquisa presidencial mostra vantagem de 13 pontos para o candidato do PL no Sudeste e equilíbrio nacional. Gabrielle Tricanico analisa os desafios da disputa para as regiões paulistas.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO
A Real Time Big Data apresenta um retrato de forte divisão regional na disputa presidencial de 2026. No levantamento com divulgação datada desta terça-feira (20), Flávio Bolsonaro (PL) registra 53% das intenções de voto no Sudeste, contra 40% de Lula (PT). No cenário nacional, a distância diminui: são 48% para Flávio e 45% para Lula, com sobreposição dos intervalos da margem de erro.
O contraste entre os resultados coloca o Sudeste no centro da leitura política da pesquisa. A região reúne São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo e representa 42% da composição da amostra informada pelo instituto.
Para a cobertura das eleições em São Paulo, o levantamento oferece uma referência regional importante, mas não apresenta resultados exclusivos do estado ou dos municípios. Os percentuais do Sudeste, portanto, não representam isoladamente a capital paulista, o Grande ABC, o Alto Tietê, o Litoral Norte ou o Vale do Paraíba.
Real Time Big Data mostra disputa nacional apertada
Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados, o resultado nacional é:
- Flávio Bolsonaro (PL): 48%.
- Lula (PT): 45%.
- Brancos e nulos: 5%.
- Não sabem ou não responderam: 2%.
A margem de erro nacional é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Com a sobreposição dos intervalos dos candidatos, o cenário configura o chamado empate técnico.
Nos votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos, a Real Time Big Data apresenta 52% para Flávio e 48% para Lula. Esse cálculo não constitui uma previsão do resultado das urnas.
Na espontânea, em que os entrevistados respondem sem receber uma lista de nomes, Flávio registra 47%, e Lula, 44%. Brancos e nulos somam 5%, enquanto 4% não sabem ou não responderam.
Sudeste favorece Flávio; Nordeste concentra força de Lula
O recorte regional da Real Time Big Data mostra Flávio numericamente à frente em quatro das cinco regiões. Lula registra sua maior vantagem no Nordeste, onde alcança 62%, contra 31% do adversário.
No Sudeste, a diferença é de 13 pontos a favor de Flávio: 53% a 40%. Outros 5% declaram voto branco ou nulo, e 2% não sabem ou não responderam.
No Sul, Flávio tem 62%, e Lula, 28%. No Centro-Oeste, os percentuais são de 60% e 30%, respectivamente. No Norte, Flávio aparece com 50%, diante de 45% de Lula.
O relatório não apresenta margens de erro específicas para esses recortes. A margem nacional de dois pontos não deve ser aplicada automaticamente aos resultados regionais.
Renda expõe desafios distintos para os candidatos
A pesquisa presidencial da Real Time Big Data também revela diferenças expressivas por renda. Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, Lula registra 54%, contra 39% de Flávio.
Na faixa de dois a cinco salários mínimos, Flávio tem 51%, e Lula, 41%. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, o candidato do PL alcança 61%, enquanto o petista registra 33%.
Por gênero, Flávio aparece com 52% entre os homens, diante de 41% de Lula. Entre as mulheres, Lula tem 49%, e Flávio, 45%.
Esses números são nacionais. O levantamento não permite afirmar que a mesma distribuição se repete nos bairros e municípios paulistas.
Análise de Gabrielle Tricanico: a força regional precisa chegar às urnas
A Real Time Big Data apresenta dois sinais que precisam ser lidos juntos: Flávio tem uma vantagem numérica expressiva no Sudeste, mas encontra uma disputa nacional apertada. Lula, por sua vez, mantém força no Nordeste e entre os entrevistados de menor renda.
Para São Paulo e suas regiões, a análise passa pela capacidade das campanhas de transformar apoio político em participação eleitoral. A presença de lideranças em um palanque demonstra articulação, mas não mede, por si só, a adesão dos eleitores.
No Grande ABC e no Alto Tietê, assim como na capital, no Litoral Norte e no Vale do Paraíba, o desafio é conectar a disputa presidencial às necessidades concretas da população. Emprego, renda, saúde, segurança e mobilidade precisam aparecer em propostas que o eleitor consiga relacionar à própria rotina.
O recorte de renda ajuda a entender por que uma cidade não pode ser tratada como um bloco eleitoral homogêneo. Bairros de um mesmo município reúnem realidades diferentes. A vantagem de um candidato no Sudeste não elimina a força do adversário em determinados segmentos — e esta pesquisa não identifica onde esses grupos estão dentro de cada cidade.
Outro ponto relevante é a definição do voto: 93% dos entrevistados afirmam que sua escolha está definida, enquanto 7% dizem que não. O dado sugere um eleitorado com preferências bastante consolidadas, tornando a mobilização das bases e o diálogo com quem ainda admite mudar de posição elementos importantes nesta reta final.
A leitura do levantamento da Real Time Big Data é clara: Flávio chega numericamente à frente, com força no Sudeste, enquanto Lula mantém bases de apoio capazes de sustentar o equilíbrio nacional. A pesquisa registra o momento; a decisão pertence ao eleitor.
Metodologia da pesquisa Real Time Big Data
A Real Time Big Data realizou 2.000 entrevistas com eleitores do território nacional entre 15 e 19 de outubro de 2026. Segundo o relatório, as entrevistas foram feitas por telefone, com entrevistadores humanos, e a abordagem inicial ocorreu por ligações telefônicas e mensagens virtuais.
A margem de erro nacional é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O documento informa o registro BR-02952/2026 e divulgação em 20 de outubro de 2026.

