Penalidades ao Consórcio Smart City SP decorrem de câmeras fora do ar, atraso na instalação de postes e pendências tecnológicas na gestão de dados e vigilância da capital.
A Prefeitura de São Paulo aplicou um total de R$ 2,4 milhões em multas ao Consórcio Smart City SP, responsável pela operacionalização do Smart Sampa, projeto de monitoramento por inteligência artificial e reconhecimento facial da capital paulista. As penalidades administrativas resultam de sucessivas falhas contratuais verificadas pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana, incluindo o desligamento temporário de câmeras de segurança, atrasos na implantação de postes de vigilância e não entrega de softwares previstos no edital.
Um levantamento exclusivo apontou a existência de pelo menos 13 processos administrativos instaurados entre julho de 2025 e agosto de 2026. As sanções financeiras aplicadas pela administração municipal variam de R$ 14,5 mil a R$ 500,7 mil e foram confirmadas após o indeferimento dos recursos e defesas apresentados pelo consórcio privado.
O programa Smart Sampa é considerado uma das vitrines de gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na área de segurança pública e tecnologia urbana. O projeto também ganhou projeção no debate eleitoral do 2º turno das Eleições 2026, sendo defendido pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) como modelo para um plano nacional de segurança. A divulgação das multas ocorre na mesma semana em que foi revelada a exposição indevida de dados sigilosos e relatórios do sistema na internet por um período de 11 meses, ampliando a pressão sobre a fiscalização do contrato.

