Estabelecimento na Avenida Santo Amaro foi representado na Promotoria de Direitos Humanos por expor manequins negros de avental servindo manequins brancos em trajes de gala.
A loja de vestidos de festa Arthur Caliman, localizada na Avenida Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, alterou a composição de sua vitrine após virar objeto de denúncia e causar indignação pública por ter atitudes associadas ao racismo. A controvérsia teve início após a divulgação de imagens que mostravam manequins negros vestindo aventais em posição de servidão frente a manequins brancos que usavam vestidos de gala, sem que houvesse nenhuma figura negra representada como consumidora ou vestida com roupas de festa.
Diante do cenário exibido no estabelecimento comercial, uma representação formal foi protocolada no Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e está sob análise da Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos – Inclusão Social. Em resposta à repercussão, a empresa afirmou que substituiu os manequins do espaço expositivo, incluindo figuras brancas também em posições de atendimento, e declarou em nota que repudia qualquer manifestação de discriminação ou racismo.
Entidades de combate às desigualdades raciais criticaram a composição e salientaram que a alteração posterior da vitrine não apaga o peso simbólico da cena veiculada. Especialistas destacam que a exibição de corpos negros exclusivamente em funções de servidão diante de corpos brancos em posição de consumo de luxo reproduz estigmas da estrutura colonial e que cabe às empresas assumirem compromissos efetivos de transformação antirracista no planejamento de suas marcas.