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Arujá: Câmara aprova rastreamento de emendas e exige transparência sobre o destino do dinheiro público

Proposta aprovada por unanimidade prevê identificação de beneficiários, divulgação de pagamentos e fiscalização semestral dos recursos indicados pelos vereadores.

Por Gabrielle Tricanico | CÂMARA EM PAUTA | ARUJÁ — ALTO TIETÊ

Quem indicou o dinheiro, quem recebeu, quanto foi pago e qual resultado chegou à população. Essas informações deverão integrar o acompanhamento das emendas parlamentares individuais impositivas em Arujá, no Alto Tietê, conforme as regras aprovadas por unanimidade pela Câmara Municipal.

De autoria da Mesa Diretora 2026, o Projeto de Resolução nº 40/2026 estabelece procedimentos para apresentação, transparência e fiscalização dessas indicações orçamentárias. A aprovação foi divulgada pelo Legislativo em 21 de outubro.

A proposta busca permitir que o cidadão acompanhe o caminho dos recursos públicos, da indicação feita pelo vereador à execução da ação e à prestação de contas. Também estabelece mecanismos para identificar possíveis conflitos de interesses nas destinações a entidades.

O que são as emendas impositivas

As emendas individuais impositivas permitem que vereadores indiquem a aplicação de parte dos recursos do orçamento municipal em ações e serviços, sob regime de execução obrigatória.

Na prática, o acompanhamento precisa ir além do anúncio de que determinado parlamentar destinou uma verba. É necessário verificar se o recurso avançou, se houve impedimentos e se a finalidade apresentada foi cumprida.

Pelas regras aprovadas, cada emenda terá identificação própria, vinculando autoria, finalidade, valor, beneficiário e andamento da execução.

Consulta deverá mostrar beneficiários, contratos e pagamentos

O texto prevê uma área específica no site ou no Portal da Transparência da Câmara para reunir os dados das emendas.

Entre as informações previstas estão:

  • Nome do vereador responsável pela indicação.
  • Objeto e valor da emenda.
  • Beneficiário final e CNPJ, quando se tratar de pessoa jurídica.
  • Documentos dos processos administrativos.
  • Contratações ou parcerias relacionadas à execução.
  • Valores empenhados, liquidados e pagos.
  • Andamento físico da ação e situação da prestação de contas.

Essa distinção entre as etapas financeiras é importante para a fiscalização. O empenho registra o compromisso da despesa; a liquidação verifica o direito ao pagamento; e o pagamento representa a saída efetiva do dinheiro. A divulgação separada permite acompanhar o avanço da execução sem confundir previsão com recurso efetivamente desembolsado.

Prazo de dois dias úteis e aviso sobre informações ausentes

As informações produzidas pela própria Câmara deverão ser publicadas em até dois dias úteis. No caso de dados enviados por outros órgãos, a contagem começará no recebimento formal, ressalvada impossibilidade técnica registrada.

Quando o órgão executor ainda não tiver fornecido determinada informação, essa ausência deverá aparecer expressamente na consulta.

O texto também prevê, sempre que possível, dados pesquisáveis, estruturados e abertos, com histórico de atualizações. Para o cidadão, isso pode facilitar comparações entre emendas, beneficiários e períodos de execução.

Vereador terá de apresentar metas e justificar a indicação

A proposta exige um Plano Resumido de Indicação Parlamentar, a ser apresentado junto com a emenda.

O documento deverá explicar a necessidade pública, identificar o público beneficiado e apresentar metas, valor estimado, cronograma e resultados pretendidos. Também precisará demonstrar compatibilidade com o planejamento municipal, incluindo a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Plano Plurianual em vigor.

A exigência cria uma referência para a fiscalização: comparar aquilo que foi prometido na indicação com o que foi efetivamente entregue.

Dirigentes de entidades e vínculos com gabinetes entram no controle

Nas destinações a entidades, o texto exige identificação dos dirigentes e declaração de eventual parentesco até o terceiro grau, inclusive por afinidade, envolvendo o parlamentar ou servidor diretamente vinculado ao gabinete.

Segundo a divulgação da Câmara, a medida também veda repasses a entidades que tenham parentes ou funcionários de gabinete como dirigentes. O objetivo anunciado é prevenir conflitos de interesses e fortalecer a impessoalidade na aplicação dos recursos.

Fiscalização terá relatórios semestrais

A Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária ficará responsável por acompanhar a execução e elaborar relatórios semestrais com a situação das emendas, valores executados, impedimentos técnicos e informações pendentes.

Também ficam vedadas alterações informais do objeto ou do beneficiário.

Para Arujá, o alcance da medida dependerá da atualização e da qualidade dos dados disponibilizados. A transparência ganha utilidade quando permite ao morador verificar não apenas a indicação política, mas o resultado concreto do investimento público.

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