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Deb Haaland rompe barreira histórica e é eleita a primeira mulher indígena governadora nos EUA

Integrante do povo Laguna Pueblo, democrata vence no Novo México e amplia uma trajetória marcada pelo pioneirismo no Congresso e no governo federal americano.

Por Gabrielle Tricanico | INTERNACIONAL | ESTADOS UNIDOS

Deb Haaland (Partido Democrata) venceu a eleição para o governo do Novo México nesta terça-feira (3), tornando-se a primeira mulher indígena eleita para governar um estado dos Estados Unidos. A conquista coloca uma integrante do povo Laguna Pueblo no comando do Executivo estadual e abre um novo capítulo na representação dos povos originários na política americana.

A vitória sobre Gregg Hull (Partido Republicano), ex-prefeito de Rio Rancho, foi anunciada pela Associated Press na noite da votação. Haaland sucederá Michelle Lujan Grisham (Partido Democrata), impedida de disputar um terceiro mandato consecutivo. Os resultados eleitorais ainda dependem da certificação oficial.

O alcance histórico da eleição está no encontro entre identidade, representação e poder de decisão. Como governadora, Haaland terá a responsabilidade de administrar políticas públicas para toda a população do Novo México, em um estado onde as relações com as nações indígenas integram diretamente o cotidiano do governo.

Quem é Deb Haaland

A governadora eleita já havia ocupado posições inéditas na política dos Estados Unidos. Em 2018, Haaland e Sharice Davids (Partido Democrata), eleita pelo Kansas, tornaram-se as primeiras mulheres indígenas eleitas para a Câmara dos Representantes.

Em 2021, durante o governo de Joe Biden (Partido Democrata), Haaland assumiu o Departamento do Interior e se tornou a primeira pessoa indígena a integrar o gabinete presidencial americano.

A pasta tem atribuições relacionadas à administração de terras públicas, aos recursos naturais e às relações do governo federal com as nações indígenas. Sua chegada ao cargo colocou uma representante dos povos originários à frente de uma estrutura diretamente ligada a decisões sobre territórios e patrimônio ambiental.

Agora, a eleição no Novo México acrescenta à trajetória parlamentar e federal a responsabilidade de chefiar um governo estadual.

Por que a vitória tem peso especial no Novo México

O Novo México abriga 23 nações, povos e comunidades indígenas reconhecidos federalmente: 19 pueblos, três povos apache e a Nação Navajo.

São comunidades com governos, línguas, tradições e necessidades próprias. Por isso, a relação entre o Executivo estadual e as lideranças indígenas envolve questões concretas, como educação, saúde, infraestrutura, preservação cultural e proteção ambiental.

A origem de Haaland no povo Laguna Pueblo dá à sua eleição uma dimensão particular nesse cenário. Sua chegada ao governo amplia a presença indígena em uma instância responsável por definir prioridades administrativas e negociar políticas que afetam essas comunidades.

Esse significado, porém, deve ser acompanhado de uma compreensão fundamental: os povos indígenas não constituem um grupo homogêneo. Cada nação tem autonomia, história e demandas específicas, que exigem diálogo permanente.

Saúde, custo de vida e proteção à infância estão entre os desafios

Durante a campanha, Haaland defendeu medidas para aliviar o custo de vida, ampliar o acesso à saúde e reformular a agência estadual de proteção à infância.

Entre suas propostas está a criação de uma opção pública de cobertura de saúde. A implementação de compromissos dessa natureza dependerá de planejamento, recursos e negociação com o Legislativo.

A governadora eleita também anunciou a intenção de estabelecer uma moratória estadual para novos projetos de grandes centros de dados até a aprovação de regras específicas para esses empreendimentos.

A agenda coloca sob discussão a relação entre desenvolvimento econômico, infraestrutura e critérios para a instalação de projetos de grande porte. Caberá à nova gestão transformar as propostas eleitorais em decisões administrativas e iniciativas legislativas.

Uma conquista histórica que será medida pelas entregas

Na análise da reportagem, a eleição de Deb Haaland amplia as referências de liderança disponíveis para mulheres e jovens indígenas. Sua trajetória demonstra a possibilidade de ocupar diferentes espaços de poder: o Parlamento, o gabinete presidencial e, agora, o governo de um estado.

O próximo desafio será converter essa força política em resultados para a população. Acesso à saúde, proteção de crianças, condições de vida das famílias e diálogo com as nações indígenas estarão entre os temas pelos quais a nova administração será avaliada.

A vitória já assegura a Haaland um lugar na história política dos Estados Unidos. A condução do governo determinará o alcance prático desse marco.

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