Imagens de creches, hospitais e viaturas ficaram acessíveis na internet; gestão Ricardo Nunes nega falha no sistema e atribui o vazamento a um agente de segurança.
A Prefeitura de São Paulo investiga o vazamento de dados sigilosos do Smart Sampa, o sistema de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Segundo reportagem do portal UOL, as informações sigilosas da plataforma permaneceram expostas na internet por cerca de 11 meses, permitindo o acesso indevido às transmissões ao vivo e registros de mais de 58 mil câmeras instaladas em vias públicas, escolas, creches, hospitais e bases de segurança da capital paulista.
Em nota oficial, a administração municipal confirmou o vazamento, mas negou categoricamente a existência de uma falha de segurança na infraestrutura da plataforma. A prefeitura atribuiu a exposição das imagens à conduta ilícita de um agente de segurança pública que possuía credenciais de acesso autorizado ao banco de dados. O servidor foi identificado, afastado preventivamente de suas funções e responde a procedimento apuratório instaurado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Especialistas em segurança pública alertam para os graves riscos operacionais e de proteção ao cidadão provocados pela exposição continuada das imagens. Em análise sobre o episódio, o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani, ressaltou a urgência de uma auditoria completa nos protocolos e níveis de controle de acesso ao sistema, destacando que a falta de governança permite que dados destinados à prevenção de crimes sejam utilizados por grupos criminosos para monitorar autoridades, mapear posições de viaturas ou articular sequestros.

