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Litoral paulista: Baixada Santista concentra pior qualidade das águas costeiras, enquanto Litoral Norte se destaca

Levantamento da Cetesb aponta que oito de 11 áreas avaliadas na Baixada Santista receberam classificação regular, ruim ou péssima; no Litoral Norte, os oito pontos monitorados aparecem como bons ou ótimos

Por Gabrielle Tricanico | MEIO AMBIENTE | LITORAL PAULISTA

Um levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) sobre a qualidade das águas costeiras revela um contraste importante entre duas das principais regiões do litoral paulista. Segundo os dados referentes a 2025, oito das 11 áreas monitoradas na Baixada Santista foram classificadas como regulares, ruins ou péssimas, enquanto os oito pontos avaliados no Litoral Norte receberam classificação boa ou ótima.

O cenário chama atenção principalmente para áreas da Baixada Santista diretamente influenciadas por canais, rios e sistemas de lançamento de efluentes. Entre os resultados mais críticos apresentados no levantamento estão o Canal de Piaçaguera, que passou de ruim, em 2024, para péssimo em 2025, e o Canal de São Vicente, que também chegou à classificação péssima.

O Canal de Santos permaneceu classificado como ruim nos dois anos. Já a área de influência do emissário submarino de Santos apresentou melhora, passando de ruim para regular. Em Praia Grande, a área do Emissário 1 permaneceu regular.

Há também indicadores positivos. A Laje de Santos manteve classificação ótima, enquanto a área de influência do emissário do Guarujá avançou de regular para boa.

Bertioga tem resultados diferentes entre rio e canal

Em Bertioga, o levantamento mostra comportamentos distintos. O Rio Itaguaré, que havia sido considerado regular em 2024, melhorou e alcançou classificação boa em 2025. Já o Canal de Bertioga permaneceu regular.

Mais ao sul, o Rio Itanhaém continuou regular, enquanto o Rio Preto, que havia recebido classificação boa em 2024, caiu para regular em 2025.

Litoral Norte apresenta cenário mais favorável

Na comparação regional, o Litoral Norte — formado por São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba — apresenta o quadro mais favorável do levantamento, com todas as oito áreas costeiras monitoradas classificadas entre boas e ótimas.

O resultado ganha relevância diante da pressão exercida sobre o litoral por crescimento urbano, turismo, ocupação territorial e infraestrutura de saneamento.

Monitoramento não mede a água na beira da praia

Um ponto importante é que qualidade das águas costeiras e balneabilidade das praias não são a mesma coisa. O estudo avalia ambientes costeiros como canais, baías, estuários, desembocaduras de rios e áreas sob influência de emissários submarinos.

Segundo as informações do levantamento, a Cetesb coletou amostras a aproximadamente um a três quilômetros da costa, em profundidade de 10 metros, para avaliar o impacto da poluição, incluindo matéria fecal, matéria orgânica e nutrientes que chegam aos rios, canais e ao mar.

Por isso, uma classificação ruim ou péssima em determinado ponto costeiro não significa automaticamente que as praias daquele município estejam impróprias para banho. A balneabilidade é acompanhada por outro tipo de monitoramento.

Análise da Guardiã

Os números revelam dois cenários bastante diferentes no litoral paulista. De um lado, o Litoral Norte aparece com todas as áreas monitoradas nas duas melhores faixas de classificação. Do outro, a Baixada Santista concentra os resultados mais preocupantes, principalmente em canais e áreas estuarinas.

A piora registrada nos canais de Piaçaguera e São Vicente merece atenção especial. Mais do que uma fotografia ambiental de 2025, os próximos levantamentos serão importantes para mostrar se os resultados representam oscilações pontuais ou uma tendência de deterioração da qualidade das águas.

Para uma região em que turismo, pesca, atividade portuária, saneamento e preservação ambiental convivem no mesmo território, a qualidade da água é também um indicador estratégico de desenvolvimento regional.

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